«The decision is mine»

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“People say that my songs are biographical, but that’s false. All of them aren’t. I am literally talking about what we go through in life, as human beings. I’m not Whitney Houston. I am not Aretha Franklin. I don’t know why people get so lazy! I only express myself. I don’t want to be categorised by another man, as I would be but a slave.”

Benjamin Clementin, (7 Dezembro 1988) filho de pais ganeses, nasceu em Londres. Desde cedo cantava nas ruas, nos lugares mais inusitados, com um casaco demasiado grande e pés descalços. Aos 19 anos quando procurava uma forma de chegar a Paris foi descoberto pelo agente Aysam Rahmania.

“I went through what I went through, and I’m still going through what I’m going through. (…) I’m still homeless. I’m a vagabond. I’m still going around different places and playing music. I have no home. The word itself is very confusing. Even if you buy a house, after 99 years it’s not yours anymore.”

Clementin é o exemplo vivo de um ser-humano que mudou radicalmente, da marginalização, na sua condição de sem-abrigo, para o reconhecimento. E curiosamente já é comparado a Nina Simone, embora apenas a tenha descoberto recentemente e Brel, Blake ou Ferré sejam mais determinantes.

Hoje as suas performances permanecem nesta condição, caracterizadora do seu modo de estar na vida. Apesar de agora poder contar com uma carreira na música, e de referir o profissionalismo necessário a que se habituou, o processo de criação que faz por sua conta e no palco é o mesmo. Inspirado pelas pessoas, pelas situações à sua volta, não teme expressá-las. Reforça mais uma vez as vertentes da música que perderam a sua substância, caindo muitas vezes na banalidade.

E é essa ligação à necessidade inicial de criação que torna tudo mais autêntico. Clementin escreve do mesmo modo, fiel ao expressar a dor produto da marginalização nas ruas, por se ser um outsider da sociedade.

“ It’s great to be part of humanity again. I feel like I belong to a certain family. The people’s family”.

Por outro lado, as pessoas querem que lhes seja contada uma história, e quanto aos perigos da efabulação, Clementin também tem uma posição clara.

“Of course, people might be proud of me, they might look at me as an inspiration – that’s fine. But I’d rather not talk about it as if it’s another story. My music is more important”.

“You’ve got to use your motivation, creativity. That’s what you have to use. You’ve got to do something. You’ve got to find something that will make you live, that will make you inspire other people”.

É aqui que a expressão controversa «Everybody is a designer» começa a fazer sentido. Todos podemos ser designers no sentido de termos consciência de que fazemos a diferença e de que podemos mudar a estrutura, que apontamos ser disfuncional, porque, afinal, fazemos parte dela. O acomodamento é um ponto a favor da estagnação, o culpar o outro e as situações não faz de nós menos culpados das perspectivas reduzidas que temos no futuro.

E digo que é deste modo que todos podemos ser designers, porque não vejo outro modo de se ser um verdadeiro designer.

Designer é o Homem que dá uso de todos os recursos que tem (e se não tem cria) para dar voz, corpo, expressão às verdadeiras necessidades humanas e da sociedade. Necessidades estas que começam por se sentir individualmente, em cada um de nós. Decisões pensadas, intrínsecas, contextuais. E depois, só depois, decisões colectivas, coros. Não apenas «rebanhos». Que a ingenuidade, o desejo, a força de poder mudar algo alague por toda a parte e se torne real. Hoje. Que a força de mudar no passado transborde no presente. Que seja uma epidemia benéfica.

Como falavamos na última aula, a necessidade de revolta é muitas vezes substituída pelo acomodamento. Acima de tudo é urgente ter decisão, é urgente protestar, espernear. É urgente ter decisões fundamentadas. Que partem da necessidade. Que partem da falta, onde afinal dizemos haver já de tudo. Falta saber o que é essencial. Sucumbir ao capitalismo, deixar que se torne o centro, é deixar reverter outros assuntos sobre as prioridades.

Ao longo do tempo as situações vão sendo outras, mas as questões por de trás dos diversos assuntos não mudam. Dominação, descriminação, marginalização, alienação…

Clementim, designado de Alma de Vagabundo é um outsider que conquista o respeito, o direito a ser ouvid,o com a dificuldade da verdade expressa.

A sua música Adios,  discorre sobre o assumir as escolhas, o deixar de culpar terceiros, o contexto social, por uma situação que exige uma tomada de posição da nossa parte. Menciona o deixar de nos escondermos. O assumir e viver as consequências.

As intensas performances de Benjamin Clementin, que afirma poder morrer pela música, simbolizam sempre mais do que o próprio autor, simbolizam mais do que a música como vertente artística, são a própria causa, a situação, a necessidade de mudança.

Antes as suas palavras eram incomodativas, vindas da rua, de alguém visto como não tendo posição nem estudos para ser credível. As suas palavras soavam no vazio, demasiado despidas, demasiado nuas, atingindo os apressados.

Adios… adios

Adios to your afternoon

Tonight i will be forever

Chasing the colosseum moon

Into a certain room

Adios… adios

I am sorry for quickly

Jumping into the train

I waited but no one came

You just a little bit too late

The decision is mine

The decision is mine

So let the lesson be mine

Let the lesson be mine

The decision is mine

The decision is mine

Cause the vision is mine

The vision is mine

Adios… adios

Adios to the little child in me

who kept on blaming everyone else

instead facing defeat

I will be forever chasing

Chasing… Chasing it all till the very end

________________________________________

Porque a decisão é minha.  Porque a decisão é tua. E só depois, passa a ser nossa.

Termino com outra referencia do autor, Cornerstone, «I am lonely, alone in a box of stone. They claim they loved me but they all lying. I am lonely alone in a box of my own. And this is the place I now belong.  Its my home… »

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