Farenheit 451

Apesar de “451 Fahrenheit” ser realizado em 1953 e ser considerado um filme de ficção utópica, conseguiu antever o tempo e uma sociedade, tal como McLuhan, que consideramos ser contemporânea. Esta sociedade desenvolvida em torno da electricidade adquire características próprias do seu funcionamento. A rotina dos cidadãos que coexiste com este meio (“The medium is the message”, Marshall McLuhan), transforma-se numa “corrente eléctrica” em que a velocidade se destaca, tanto no acesso à informação, como na celeridade das acções. Este aspecto reflecte-se continuamente ao longo de todo o filme. A sociedade de hoje não “rejeita” apenas o livro, mas também todos os meios que não acompanham o seu ritmo exaustivo. A recepção exaustiva de conteúdos, hoje-em-dia, incentiva à aceitação sem questionamento e reflexão, levando consequentemente à compactuação com estruturas como o consumismo e a venda. Outro meio presente no filme é a televisão, que pode ser visto como um instrumento do regime, que é utilizado de forma subtil e incisiva, sobre a mentalidade do que é fórmula da felicidade, levando, assim, à estandardização.
Especificamente,durante o filme, é-nos apresentada uma cena de aparente comunicação entre a personagem Linda e o meio. Esta acção é classificada como “exame” que confirma a fidelidade do cidadão no sistema, ao criar uma situação de resposta obrigatória e posterior felicitação.(Linda: “I don’t know what to say” – TV: “Linda, your absolutely fantastic!” – Linda: “You have heard I said all the right answers! I could be an actress!”) Este tipo de comunicação está hoje representada nas tela-vendas, onde o discurso se torna redundante e exaustivo para o telespectador. Apesar do reconhecimento do orador como humano com que nos identificamos, existe uma linha de discurso pré-definida e esquemática que torna toda a comunicação encenada e previsível. O discurso fluí de acordo com a resposta dada, mesmo que a resposta à venda não seja afirmativa.
Mesmo ao especificarmos as tele-vendas, este sistema é replicado em todo o universo da televisão e, por conseguinte, na nossa sociedade e vidas individualizadas. Surge portanto a questão se os nossos desejos e ambições emergem das nossas necessidades reais, ou se somos manipulados ao ponto de pensarmos que surgiram de nós próprios.

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