Evento – Agora, por favor, (i)repetível

O que é o design sem o jovem que questiona a sua prática? Sem nós de momento. E se a juventude não é repetível em nós próprios, ao menos que persista o acto de colocar a questão!

Se reflectirmos melhor, o que é o design sem o sobrolho franzido?

Lembro-me perfeitamente daquela aula de filosofia do 10ºano. Foi aí que o meu interesse pelo design se confirmou ainda mais intesamente. Lembro-me do professor, 70 anos, muito magro, extremamente católico.  Pediu que escrevessemos um texto que não me recordo do tema, mas do seu comentário por escrito, a vermelho. Comentava o meu texto de forma orgulhosa pela qualidade do conteúdo mas ao mesmo tempo só lamentava de forma trocista a minha incredulidade em aceitar as questões sem as ponderar primeiro.

Foi nesse texto que surgiu escrito, pela primeira vez, algo que já à muito pairava na minha mente – Questionar para compreender. – Pensei também em quantos assuntos não tinha realmente reflectido, e quantas vezes, por isso mesmo, podemos deixar uma decisão nossa, importante, para outros.

Quando entrei para a faculdade, já tinha o espírito crítico a fervilhar, mas o design trouxe desafios ainda mais interessantes e complexos. Colocar no visual  a crítica de assuntos contemporâneos. Fez ter a certeza que não estamos sozinhos na decisão de mudar pela crescente necessidade de discutir as temáticas. Um discutir construtivo, que leva a algo maior que quem cria, que nós mesmos, enquanto designers.

A exposição, Agora irrepetível, foca uma das questões mais importantes a nível do percurso do designer que ainda se está a formar. O indivíduo que possui sede de conhecimento e que não se deixa estagnar. O sujeito que no meio da multidão ainda tem espectativas e quer mover os outros também e que para isso começa por questionar a própria estrutura do ensino em que se forma. Sempre no objectivo de melhorar o seu percurso e do designer que se forma no ano seguinte. Uma rede sempre em construção e crescimento.

O design apesar de partir de nós, tem de ser para os outros, caso contrário, a meu ver, perde a sua essência.

O mesmo é dizer que uma obra de arte dentro de uma gaveta, por melhor que seja, não é uma obra de arte, se não tiver o seu público.

Se for apenas para contemplação do seu criador.

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