Here is a man who could not take it anymore.

Esboço inicial

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O regresso mentalmente perturbado de um ex-combatente de guerra à sua cidade. Uma situação comum.

Scorcese decide reformular. Taxi Driver. O mesmo regresso mas de um ex-marine do Vietname, numa cidade americana dos anos 70, um panorama tão ou mais caótico que a própria guerra.

Quando a luta no Vietnam “acaba” apenas “começa”. Travis, jovem, possui aspirações de um trabalhador de colarinho branco “organiz-ized”, mas o seu futuro é já um leque condicionado.

Ser taxista, dá-lhe uma proximidade ao terreno tão semelhante à de um marine no campo de batalha. Exige-lhe imparcialidade quando as ruas revelam o seu lado mais cru. Agora, vivenciados e captados pelas câmaras de modo mais natural. Uma quebra com as tradicionais convenções da narrativa, correcta, mas por isso, ainda mais tirânica, dissimulada.

May 10th. Thank God for the rain which has helped wash away the garbage and trash off the sidewalks. All the animals come out at night – whores, skunk pussies, buggers, queens, fairies, dopers, junkies, sick, venal. Someday a real rain will come and wash all this scum off the streets. I go all over. I take people to the Bronx, Brooklyn, I take ’em to Harlem. I don’t care. Don’t make no difference to me. It does to some. Some won’t even take spooks. Don’t make no difference to me.

A transformação de Travis acompanhada gradualmente pelo espectador, torna tudo mais pessoal, a auto-disciplina, só reforça a existência de uma nova guerra que não se trava com forças da ordem, mas que se cura primeiramente por dentro, reerguendo valores que incluam um espaço para uma sociedade cada vez mais segmentada, com novas realidades. Civis e militares. Negros, mulheres, gays. A luta acaba por fazer-se por conta própria, pois a luta não saíndo à rua, não cessa dentro das pessoas.

Too much abuse has gone on for too long. (…) The idea had been growing in my brain for some time. True force. All the king’s men cannot put it back together again.

[looking in the mirror] Yeah. Huh? Huh? Huh? [draws] faster than you, you fuckin’ son of a…I saw you comin’, you fuck. Shit-heel. I’m standin’ here. You make the move. You make the move. It’s your move. Huh? Don’t try it, you fuck. You talkin’ to me? (…)

[Travis voiceover: Listen you fuckers, you screwheads. Here is a man who would not take it anymore. A man who stood up against the scum, the cunts, the dogs, the filth, the shit. Here is someone who stood up. Here is…] [draws his gun] You’re dead.

A troca de ideias sobre o que está a ocorrer e o que realmente está a afectar cada um acontece numa conversa que os próprios interveninentes consideram ser sem sentido e talvez desnecessária. De tão complexo, o problema é quase impossível de descrever.

Wizard: Look, look at it this way, you know uh, a man, a man takes a job, you know, and that job, I mean like that, and that it becomes what he is. You know like uh, you do a thing and that’s what you are. Like I’ve been a, I’ve been a cabbie for seventeen years, ten years at night and I still don’t own my own cab. You know why? ‘Cause I don’t want to. I must be what I, what I want. You know, to be on the night shift drivin’ somebody else’s cab. Understand? You, you, you become, you get a job, you you become the job. One guy lives in Brooklyn, one guy lives in Sutton Place, you get a lawyer, another guy’s a doctor, another guy dies, another guy gets well, and you know, people are born. I envy you your youth. Go out and get laid. Get drunk, you know, do anything. ‘Cause you got no choice anyway. I mean we’re all fucked, more or less you know.

Travis: Yeah, I don’t know. That’s about the dumbest thing I ever heard.

Talvez a questão política tenha realmente impulsionado todo o filme e por isso mesmo se note que nenhuma das personagens sabe realmente das consequências que esta exerce sobre o meio.

A penny for your thoughts. 

diria Arthur Bremer, (verdadeira inspiração para a personagem Travis) se a sua tentativa de assassinar George Wallace, fosse bem sucedida. Não que se importasse com política. Tal como Travis apoiava inconsequentemente Palantine, Bremer apoiava Wallace. Querer assassina-lo foi apenas uma tentativa de reconhecimento.

Maybe it didn’t go down exactly like it was supposed to, but the result had been achieved. Wallace was dead. He had to be. He was sure he had been hit three times, maybe more. He had done it. Everyone would now know the name Arthur Bremer. And even if he died here, he would forever live on in the words…

Damn it.

He forgot to say – a penny for your thoughts.

Taxi driver, representa também a geração de realizadores que foi atingida pelas minas esquecidas do Vietnam, mas nas ruas americanas. A geração que evita finais felizes e heróis em prol de anti-heróis com bons desfechos. Uma outra forma de recontar os clássicos, mas que explora tabus.

As melhores revoluções só se tornam eminentes contra regimes vigentes, as utopias tornam-se as melhores revoluções por se encontrarem no campo das probabilidades…

Assim como isto, a necessidade dos realizadores controlarem os seus destinos, os resultados tão desafiantes, uma Nova Hollywood, dependeu da vontade de mudança face a uma Velha Hollywood, contra uma guerra do Vietnam. E posto isto, parece que nenhum outro acontecimento faria Hollywood fazer tão bom cinema. Talvez porque, a partir daí, nenhum acontecimento seria tão impactante, e traria proporções tão exteriores a si mesma.

A geração dos realizadores de hoje, se por um lado conserva o espírito contrariado vindo de anos como os anos 70, não tem um objectivo visível em que o canalizar and “that is worth dying for”.

Dear Father and Mother:   (…) I am well and making lots of money.

De algum modo as gerações anteriores levam a crer que já se lutou tudo o que há para lutar e de algum modo a geração de hoje esconde-se por detrás dos mesmos argumentos para se acomodar. Já se fez tudo, já se disse tudo.

A Hollywood que paradoxalmente seria a da minha geração, é uma fabrica de entretenimento que proporciona apatia, ataraxia, e que devolve mentes vazias e valores ainda mais decadentes. Um cinema de produtos acabados, que não quer perturbar o espectador, na perturbação que afinal já existe.

A verdadeira luta que deveria existir hoje, não se revê nem tão cedo se irá rever em Hollywood. No entanto, embrenhando-nos nos filmes da Hollywood dos anos 70, é impossível ficar indiferente à sociedade a que retornamos. Sejamos dos anos 70 ou não. A mensagem é de algum modo, intemporal.

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Genero: Drama

Direção: Martin Scorsese

Roteiro: Paul Schrader

Elenco: Albert Brooks, Beau Kayser, Bill Minkin, Bob Maroff, Brenda Dickson, Copper Cunningham, Cybill Shepherd, Diahnne Abbott, Frank Adu, Garth Avery, Gene Palma, Gino Ardito, Harlan Cary Poe, Harry Cohn, Harry Fischler, Harry Northup, Harvey Keitel, Jodie Foster, Joe Spinell, Leonard Harris, Maria Turner, Martin Scorsese, Murray Moston, Nat Grant, Nicholas Shields, Norman Matlock, Peter Boyle, Peter Savage, Ralph S. Singleton, Richard Higgs, Robert De Niro, Robin Utt, Steven Prince, Victor Argo, Victor Magnotta

Produção: Julia Phillips, Michael Phillip

Fotografia: Michael Chapman

Banda Sonora: Bernard Herrmann

Duração: 113 min.

Ano: 1976

 

Distribuidora: Columbia Pictures

Estúdio: Bill Phillips / Columbia Pictures Corporation / Italo/Judeo Productions

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