40 ANOS CURSOS DESIGN ESBAL

Mais do que ensinar os alunos a fazer objectos, é ensinar os alunos a não ser objectos.

frase proferida por Jaime Seia, a propósito do curso de Design e de José Brandão.

A importância da criação e evolução do curso de Design de Comunicação em Portugal, releva, a meu ver, da ideia contida nesta frase.

O verdadeiro ensino é aquele que permite ao professor orientar o aluno a encontrar os seus próprios meios para atingir os fins. Ensinar as etapas de um processo é diferente de ensinar uma fórmula correcta de as superar. Permite que o processo seja um guia, presente, mas que não restringe a criação, a inovação. A adaptação pessoal de um método de trabalho não o torna obsoleto com o tempo, porque não se trata da criação de um produto final que pode ser descartado com o tempo, com as modas. Este é um processo mental que é transponível para situações, muitas vezes, distanciadas da àrea profissional.

Neste curso, nesta faculdade, não se fazem apenas alunos, designers- fazem-se pessoas. Discutimos assuntos e situações que vão de encontro a valores. E por isso mesmo, a organização do curso torna-se algo ainda mais importante do que gerir um sistema de números, com vagas e notas como variáveis. Gerir o tempo que um aluno terá para lidar com projectos, problemáticas do curso, além da própria organização que o aluno naturalmente deve ter, é gerir o impacto que a vivência na faculdade terá na sua vida enquanto pessoa, no conhecimento das suas próprias aptidões ou no relacionamento com os outros e só posteriormente enquanto profissional.

Como referido na conferência, a estranheza com que a palavra DESIGN foi recebida em Portugal, demonstra o quebrar de um ciclo, a atitude de renovar mentalidades que deve de algum modo ser mantida. Talvez não as próprias medidas em si. Pois cada contexto e tempo exige uma nova análise e discussão.

José Brandão fez parte desta mudança, desta atitude. E é tão importante porque conseguiu encontrar o seu próprio método dentro de um processo que a actividade do Design proporciona. Um longo percurso com toda a certeza foi percorrido, para alcançar a coerência que transborda nos seus trabalhos. Essa coerência só é possível quando encontramos o nosso próprio modo de dar resposta a um projecto pedido por um cliente e muitas vezes com enormes restrições de toda a ordem. De modo ético, José Brandão consegue manter-se fiel ao seu próprio estilo.

É de facto, como citado por Frederico Duarte “Um eximio prestador dos serviços de design”.

Fez entender a muitos, que precisavam, do que não sabiam chamar-se Design, Estetique Industriel, Dibujo. Mas não foi pela sua assinatura que o fez. Só após o constante aplauso de várias obras visualmente reconhecíveis, se procurou a identidade do seu criador. Pela simplicidade com que responde a uma necessidade, tornou-se notável.

 

 

 

 

 

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