Mulheres, humor, respeito. Acção!

Hoje é dia d(relembrar) a mulher,

comediante.

Pode uma mulher chegar ao humor através do respeito?

Ou é mais frequente chegar-se ao respeito através do humor?

Ou não se é respeitado fazendo humor?

Ou não se faz humor sendo-se respeitado?

E o que é isso de ser respeitado?

E o que é isso de fazer humor?

O humour pode ser radical, subversão, coragem, pode ser sobre os outros ou sobre o eu comediante, pode ser negativo ou positivo, motivador.

Moms Mabley (19.3.1894-23.5.1975)

A primeira comediante de stand up comedy. Transformou as falas do papel que lhe foi atribuído, uma velha dona de casa de pijama (frequentemente atribuido a mulheres negras) como denuncia ao racismo e ao assédio sexual. Moms Mabley. Muito à frente do seu tempo. Ela própria foi alvo de tais provocações, sendo ela mulher, negra, homosexual, e não menos importante, com um papel activo na política.

“Anytime you see me with my arms around an old man, I’m holding him for the police”. Moms Mabley

Joan Rivers ( 8.6.1933 -4.9.14)

Joan, nativa de NY, sabia que ser judia, no contexto em que vivia, não era um ponto a favor e como tal utilizou a sua “desvantagem” para fazer humor. O seu sucesso derivou de dizer antecipadamente o que outros pensavam e não diziam.

Caryn Elaine Johnson (Whoopi Goldberg) (14.11.1955–)

Whoopi Goldberg ganhou o  Bay Area Theatre Award ao fazer o retrato da Moms Mabley num one-woman show.  Além de comediante, é actriz de cinema e televisão.

I’m fighting the label of ‘Black’ actress simply because it’s very limiting in people’s eyes, especially people who are making movies.

(…) What I am is a humanist before anything – before I’m a Jew, before I’m black,before I’m a woman. And my beliefs are for the human race — they don’t exclude anyone.

Elayne Boosler

Frequentemente alvo de criticas depreciativas de humoristas antecessores como Phyllis Diller ou Carson

Carson was the comedy Establishment’s king. All a stand-up needed to do was a set on TheTonight Show, and if Carson gave you the thumbs up — or, better yet, an invitation to sit on his couch — that comic’s career was made.

e que causou certas represálias na medida em que Boosley não conseguiu vários papéis, que lhe tinham sido recusados e outros recusados por ela, pela sua natureza…

Boosler first appeared on the Tonight Show in August 1977, when Helen Reddy was guest-hosting.  A month later, she got a turn with Carson. It did not go well. “I went in to do TheTonight Show, I had a beautiful set all prepared, and they put someone on my case to write jokes,” Boosler recounted to the New York Times in 1987. “I remember the first joke I was handed went, ‘I’m so ugly, I can’t make a nickel on a battleship,’ I just refused to do it.” After the set, Carson reportedly told his comedy booker, “I don’t ever want to see that waitress on my show again.”

Apresento apenas casos sumários do que é a crescente utilização do humor, não como mais uma ferramenta, mas –  a ferramenta –  que mais impacto tem numa sociedade fast-information e easy-remembering.

Saliento o humor ao serviço da denuncia, ou como neste último caso de Boosler, a denuncia no próprio direito ao exercício do humor por todos, neste caso específico pela mulher.

São inúmeras as culturas em que o riso da mulher em público ou mesmo o contar algo engraçado é sinónimo de falta de seriedade ou respeito, sendo mesmo considerado não-ético. (Note-se, chega mesmo à desaprovação deste tipo de expressão em contexto de lazer e não só em contexto de trabalho, em que um profissional pode ser considerado menos capaz no seu trabalho do que outro com menos humor perante a mesma simples tarefa, ou mesmo quando as estatísticas apontam que as mulheres recebem mais desaprovação perante uma audiencia, sendo que um homem contando a mesma anedota recebe mais aprovação. Não se trata portanto de menos dotes humoristicos por parte da mulher, trata-se de estereótipos ainda enraizados nas culturas.

The language of comedy is universal and women laugh with ease and frequency within their social groups. They are less likely than men to use ‘joke-telling’ to position themselves as a leader within the group and this inevitably characterises society’s interpretation of women and humour.

O direito ao humor, à ironia, é o direito à utilização de uma das ferramentas mais imediatas de negação mediante imposições sociais, culturais, entre outras.

Exactamente pela ideia de estranheza face ao humor feito pela mulher, se faz humor contra a mulher, ou se lhe atribui papeis ‘adequados’ e que colocam em causa a igualdade de género.

It was the kind of thinking that led comedy clubs (who wanted to please network bookers) to limit the number of women on a lineup; that shuttled women into all-female comedy nights with mostly female (and gay) audiences; that kept most female stand-ups from turning their acts into sitcoms; and that led network execs to cast clumsy bombshells over professional funny gals. Any male comics talking today about how political correctness has created an air of censorship should remember that women have long been fighting notions of what’s appropriate for them to joke about. All of this had the effect of pushing women who didn’t fit a particular mold — brassy, catty, unfeminine — to the fringes. That meant working in alternative comedy spaces and, crucially, relying on alternative media outlets to increase their visibility. In the 1980s, that was cable television; today, it’s YouTube, Netflix, and the like. This was where women got to be funny on their own terms.

The first surge of funny women into comedy happened during the stand-up boom of the 1970s and 1980s. That was when droves of young women, inculcated with the politics of feminism, started to flood stand-up comedy clubs, which were rapidly multiplying nationwide. But the clubs weren’t so welcoming. Becoming proficient at stand-up requires reps in front of a live audience, but for women, stage time was hard to come by.

Parece que palavras como mulher e humor já foram mais distantes de igualdade, respeito e feminismo.

Depois da performance que arquitectei e que dei voz na sala 3.49, politica e a metafora da fome, a bota e a couve no prato político, só posso descrever a performance utilizando o humor, como a mais sincera forma de comunicar a frustração, perante as respostas que nos são dadas pelo governo e pelas perguntas por nós colocadas, e ao mesmo tempo indignação perante o tempo que vivemos, as condições que nos são dadas, mas também a procura por respostas, começando tudo não apenas a apontar o dedo ao que está mal, mas a exercer o direito ao voto que é pensado, que é ruminado como disse e não para estar sempre a engolir e a engolir que a fome já é muita para alguns…

A ironia por vezes é imprescindível. E as metáforas também.

Negociar com a bota(velha política), não chegar a consenso, enterrar a bota… Nasce a couve, nasce a couve que herdou no ADN problemas da velha política.  E lá eu como a couve na esperança da nova realidade. Eu não engulo, eu rumino a política. Não há forma de não o fazer se não queremos comer a couve que nos colocam a frente do nariz.

Mas e se a minha familia não souber nada de política. Oh meus caros, então, se eu represento a geração que estuda até mais tarde e conhecimento é SEMPRE uma arma. Então eu vou procurar outra coisa para comer que eu não quero esta politica da couve que me colocaram a frente do nariz eu quero, tenho direito a procurar outra coisa. Se eu estou nesta situação então vou procurar os responsáveis, vou procurar dialogar.

No entanto a politica gaba-se de me dar 3 anos para sonhar alto alto, 3 anos de licenciatura. E não se lembra dos dois anos que me tirou para esse tal acordo de bolonha. Há com cada uma.

Arrastar a bota atrás dos meus pés, tais grilhões, pode ser uma imagem simples, comer uma couve (de que não gosto) pode ser um gesto simples, mas garanto o seu significado foi muito superior a isso e a mensagem não poderia ser transmitida de outra forma. Humor também é inteligencia, e como referi, conhecimento, meus caros, é uma arma. É humor político, e já que estamos neste post, por uma mulher.

Exercer design com respeito é por si só agir activamente na sociedade em que vivemos. É ser designer para sustento mas principalmente para as causas certas, apesar das inconstancias do panorama que nos dão já um vislumbre. Variáveis para um/a jovem designer em vias de sair da faculdade e de entrar verdadeiramente no mundo do trabalho remunerado.

This is what Sandra Bernhard did, whose act was more of a performance-art-type comedy. “It was definitely a different vibe,” Bernhard said in an interview in the book. “Women could be more themselves, and they weren’t under the pressure of following a man who was doing really tacky, sexist, racist humor.” Whoopi Goldberg, whose stand-up was made up of funny but dark character monologues, including a surfer chick who gives herself an abortion and a little black girl who wanted to be white, also performed in the Belly Room.  Goldberg said in an interview for the book. “I never wanted to put her in the position of saying, ‘Listen, I can’t really put you in the Main Room because the guys will have their little mini freak-out. So would you do the Belly Room?’” Whoopi Goldberg’s act was radical, dangerous, and caused a stir. She performed it on Broadway, directed by Mike Nichols, and eventually it aired on HBO. And yet Goldberg’s movie and television roles never had the same edge.

Exercer o direito ao voto é também respeitar aquel@s que perderam a vida para que isso fosse possível. Exercer o humor também é coisa séria. Ou pelos menos deve-o ser.

Comedy was more about telling the truth than it was about having a tight ten-minute comedy routine, and encouraged women to work out that kind of material in alternative venues — coffeehouses, laundromats, theaters. This is the movement that brought us stars like Kathy Griffin, known for her stream-of-consciousness rants about her family and showbiz, and Margaret Cho, whose routines about growing up Asian-American, women’s issues, LGBTQ rights, and sex were funny but also intense.

These are the backchannels through which feminist humor evolved. And it’s hard to imagine the impact these women would have made were it not for cable television, since frankly, these women weren’t succeeding on major networks. Take, for example, Garofalo and Silverman, revolutionary voices who were unable to get any traction when they worked on established shows like Saturday Night Live. When ABC tried to spin Cho’s work into a sitcom, All-American Girl, it was a disaster for the way it put pressure on Cho to lose weight, and also for reinforcing Asian stereotypes.

E o leitor poderá perguntar e não terão hoje as mulheres algum tipo de vantagens em utilizar o humor?

Na verdade, creio que, a partir das pesquisas que fiz, se as mulheres pela sua exclusão no mundo do humor tomaram partido dos meios que não eram tão mainstream como a televisão, hoje houve uma inversão de papeis. A televisão creio que já deixou de ter o papel central na difusão de informação em massa. A internet tomou o seu lugar. Então, a meu ver, estamos perante algo em crescimento. E é grande. Todas as mulheres que por exemplo, utilizaram o youtube para fazerem o seu trabalho publicamente e sem as pressões dos stand-up comedies e de estabelecimentos com as velhas restrições, estão portanto mais próximas dos públicos, visto que os comentarios, aprovação e desaprovação são mais próximos e imediatos ao tomarem a forma de likes ou comentários online, resultado da democratização dos media. Os podcasts por exemplo, também permitiram que estas mulheres não precisassem de um mediador que dissesse o que é apropriado ou não uma mulher dizer ou como agir no meio humoristico.  As mulheres foram-se habituando tão bem a este tipo de medias alternativos que estão preparadas para lidar com esta porventura inesperada vantagem? Ex. Lena Dunham, Amy Schumer, Samantha Bee, Chelsea Handler e/ou Mindy Kaling.

Female comedians have always been ahead of their time; now, at last, their time is catching up to them. No wonder women laugh so much given what they endure in some cultures. I want to know how such women use humour to help, heal and communicate within their communities and their own immediate female groups and how this transcends into their wider community. Are there issues around how this translates? For example, is comedy seen as disrespectful or unseemly?

 

E posto isto,
Some say that laughing, joking women don’t ‘know their place’. Well we believe a woman’s place is everywhere.”
E deixarei isto aqui para terminar

http://www.biography.com/news/famous-female-comedians-national-humor-month
http://www.vulture.com/2016/01/how-comedy-finally-caught-up-to-female-comedians.html#
http://www.huffingtonpost.co.uk/lynne-parker/humour-is-weapon-in-battle-for-womens-rights_b_2715252.html / We Killed: The Rise of Women in American Comedy.
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